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Sammy IN Sampa



A TAL DA AUTO-ESTIMA

Personalidade é uma coisa que nasce com a gente e que, dificilmente, conseguimos mudar.

No início do ano de 2006, eu tinha um propósito de mudança para a minha vida, pois me conscientizei de situações que não estavam me fazendo bem.

A solução era fazer tudo diferente. Mudar as ações e os pensamentos. Decidi fazer um retiro que me levasse ao encontro de mim mesma. Se as coisas estavam dando errado, eu tinha, por obrigação, que identificar as causas que me conduziam ao erro.

Não é fácil realizar esse trabalho. É difícil assumir o quanto somos malvados, mesquinhos, invejosos e sacanas conosco mesmo.

E quanto mais eu buscava as origens dos problemas, mas eu as encontrava nas minhas próprias atitudes, afinal de contas, criamos a nossa própria realidade que depende da forma como os fatos são interpretados por cada pessoa.

Olhando pra tudo isso, houve momentos em que me senti envergonhada. Fui percebendo que fui injusta em algumas situações e cega em relação a outras... precipitada, impaciente, ansiosa; o que me conduziu ao sofrimento. Aí resolvi agir diferente. Afastei-me de situações e de pessoas, larguei o meu emprego para começar um processo de reciclagem e purificação. Iniciei novos cursos, e com isso, comecei a conhecer pessoas com outros pensamentos e posicionamentos diante da vida.

Todas as noites eu meditava sobre o que era o amor, ou melhor, sobre o que era o auto-amor. Eu precisava me amar pra ver se a energia voltava a fluir e se, com isso, a minha vida voltava a caminhar.

Foi aí que percebi que amor é, acima de tudo, aceitação. Eu deveria me aceitar do jeitinho que sou - com as minhas virtudes e defeitos. Era preciso "desencanar", deixar rolar, não criar ilusões, nem expectativas, apenas viver um dia de cada vez – mantendo uma vida ativa; trabalhando, estudando, saindo, aprendendo, conhecendo, mas sem aquele monte de ansiedades e fantasias na cabeça. Era preciso fluir como um rio, constante e sem parar.

Foi confortante sentir a vida dessa forma. Sem ilusões, sem fantasias, com os pés no aqui-agora. E depois de não me cobrar e de parar com as pretensões, percebi o quanto eu poderia realizar. Descobri o potencial imenso de criatividade que habitava em mim mas que estava esquecido lá num canto escuro.

A cada dia, passo-a-passo, eu realizava algo de bacana e isso me proporcionava satisfação... algumas vezes eu pensava: - Poxa Sam... como você é legal! Como você é espertinha!... e esses bons pensamentos me geravam conforto e bem estar. E aí, nesse momento, comecei a descobrir o que era a tão da dita e bendita Auto-estima!

Auto-estima é: conforto, paz e serenidade; aceitação e tolerância, compaixão; respeito, admiração e auto-valorização pela própria vida.

E quando a gente  se valoriza, se aceita e é capaz de se encantar com a gente mesmo, começamos a sentir o mesmo pelas outras pessoas. A mesma compaixão, o mesmo respeito, sobretudo empatia, por saber que ali também tem um ser humano, igualzinho a gente! Uma criatura que ri, chora, sente dor e prazer... Os sentimentos e emoções são sempre os mesmos para todos. O que difere é o percentual que temos de cada um deles dentro de nós. Uns tem mais raiva do que outros – são mais irritáveis; outros são mais magoáveis e alguns tem uma tolerância maior para com as dificuldades do dia-a-dia. É a dosagem das nossas emoções que nos faz diferentes uns dos outros .

Como podemos equilibrar tudo isso? Eu agi da seguinte forma, perguntei-me: - O que é o amor? Quero encontrar o amor dentro de mim, porque fora de mim sei que ele não está... e antes de dormir, eu pensava nas pessoas pelas quais tenho afeto, pensava nas situações que me trouxeram alegria para que esse sentimento vibrasse no meu coração. Se viesse alguma tristeza, eu chorava... se viesse alguma culpa eu me perdoava, se viesse alguma mágoa, eu me libertava... eu fazia isso respirando lenta e profundamente até adormecer. Ninguém me ensinou isso, eu descobri sozinha, com a minha intuição. E, dia após dia, o conforto passou a habitar o meu coração até que um dia em pensei: - Nossa... Quanta maldade... quantas coisas horríveis eu fiz comigo! Mas eu me perdoei, limpei e abri o meu coração de novo!

Abrir o coração é abri-lo para a experiência do bom e do belo. Quantas vezes não nos sentimos indignos das coisas boas e belas da vida? Quantas vezes tentamos nos redimir de nossas culpas nos infligindo sofrimento e tormentas, fazendo isso também com os outros quando consideramos que eles são culpados? Julgamos, condenamos e castigamos - a nós mesmos e ao próximo. Isso é terrível, cruel, frio, gelado... O amor, por sua vez, é quente! Ele conforta, liberta e é autêntico porque ele é aceitação. Ele não exige nada de você... ele te ama, incondicionalmente!

E por todos os motivos que apresentei, gostaria que você pensasse no que eu aqui coloquei, e tentasse praticar o auto-amor em seu dia-a-dia. Tenho certeza de que os benefícios que essa prática lhe trará serão imensuráveis!

Seja um canal de transformação. Não vamos esperar que o mundo fique bom primeiro. Vamos mudar a nossa postura diante da vida. Essa é a verdadeira revolução!

 

 

 

Texto publicado no Blog Sammy IN Sampa, em 08-09-2006.

Revisado em 13-07-2007.




Escrito por Sammy às 18h09
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