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Sammy IN Sampa



Uma vida de sono

 

 

Num belo dia em que provavelmente eu estava dentro de um ônibus, assistindo pela janela do veículo a televisão da vida urbana, mergulhada em pensamentos, senti sono... No que senti esse sono, pensei: sempre sinto sono...

Numa aula da faculdade em que a professora falava e falava, desfilando vocabulário, mas sem dizer muita coisa, novamente senti sono e pensei: sempre sinto sono...

Numa tarde em que, no meu local de trabalho eu precisava ler textos, ler muito, muitos textos enquanto o relógio corria implacavelmente me deixando bem aquém de cumprir os prazos que me são pedidos, senti sono e pensei: sempre sinto sono...

Numa noite em que após ter voltado da faculdade amassada dentro de um ônibus lotado, chegando em casa muito mal humorada, mal falando com as pessoas e entorpecida pelo sono conclui: passei a minha vida inteira sentindo sono.

Sentindo sono em todas as manhãs geladas em que tive que levantar para ir à escola ou ao trabalho; em todas as tardes em que as poucas horas dormidas pesavam sobre os meus olhos; em todas as noites em que, sentada numa cadeira dura de faculdade, eu ouvi palavras e mais palavras das quais o sono esvaziava o sentido, conclui: será que a minha vida é apenas sentir sono?

 

Esse texto foi escrito num momento em que eu necessitava afugentar, mais uma vez, o sono.



Escrito por Sammy às 16h16
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